Tem dias que é assim: você tem as pontas de uma ideia (ou várias pontas) mas, elas não se encaixam do jeito que você quer. Mas, chega uma hora em que os astros se alinham na sua cabeça e tudo passa a fazer sentido. rs!
Chega um momento na vida em que já não dá pra aceitar as ideias que vêm fáceis. "Quando a esmola é muita, o santo desconfia", diz o adágio. E as melhores ideias nunca vêm fáceis. É raro cair uma boa ideia, original, na sua cabeça. Em geral, as boas ideias são pontas de ideias lapidadas com muito esforço.
Dia desses, conversando com um amigo, ele me disse algo interessante sobre a criatividade. Disse-me ele que nossa profissão é de um trabalho um tanto ingrato. Ele deu o exemplo de um músico que cria um álbum e desfruta do trabalho dele por anos e anos. Já nós, os cartunistas, temos que matar um leão por dia. Todos os dias temos que ter ideias novas e legais, sob o olhar e julgamento atento do leitor, pois eles percebem quando a gente erra a mão.
Daí fiquei pensando que talvez por isso tenho o hábito, acho que infeliz às vezes, de me propor desafios o tempo todo. Por isso a minha necessidade de mudar tanto. Não consigo ficar parado no mesmo traço, na mesma linha de pensamento, porque o desafio de querer aprender e alcançar mais me persegue. Eu me enjoo fácil das coisas fáceis. Quando descubro o segredo de uma técnica, mudo. Deixo pra lá. A etapa está vencida. Vou à procura de coisas novas. E confesso que tenho receio de ficar estagnado, de parar de aprender, também.
Uma coisa legal que percebi é que quando era garoto eu desenhava por desenhar. Era simples: queria desenhar e desenhava. Mas, o tempo passou e comecei a só desenhar profissionalmente. Daí ficou ruim. O desenho virou "obrigação".
De uns tempos pra cá, recuperei essa gana de desenhar pelo prazer de desenhar, mesmo que profissionalmente. E não é que o traço está correndo mais solto? Tenho enchido meu sketchbook de rabiscos descompromissados e tem pintado um monte de pontas de ideias. Pra mim, isso tá muito legal.
O tempo passa e a gente percebe que quanto mais simples a vida for, melhor. Mas, com qualidade. Parei de complicar as coisas. Curto muito lapidar as ideias, mas sem me estressar com isso.
Grande abraço.
Rico

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