Caderno de Desenhos

20 de out de 2015

Bill Watterson



Sempre gostei de Calvin & Haroldo. E, mais tarde, descobri que havia um puta Criador por trás da criatura.
Bill Watterson não emplacou na profissão de imediato. Seu trabalho foi recusado por vários jornais e syndicates durante muitos e muitos anos.
O cartunista americano Bill Watterson tinha uma posição e uma filosofia sobre os quadrinhos.
Ele sabia onde queria chegar e não se importava com quem discordasse dele. Olhem o que representa hoje a sua obra.
Bill Watterson vivia em seu mundo, na sua cidadezinha de interior. Há apenas umas 2 ou 3 fotos dele por aí na internet. Ninguém sabe quem é sua esposa, seus filhos (se os têm), onde mora ou qualquer outro detalhe de sua vida íntima. Nada disso era importante para ele.
Acho que temos um pensamento parecido: o que deve aparecer é meu trabalho e não eu. Não sou celebridade da TV.
Quando Bill Watterson discursou no encontro de cartunistas americanos em 1989, que acontecia de 3 em 3 anos, ele foi duro nas críticas sobre o que estava acontecendo com a arte dos quadrinhos, em especial as tiras em quadrinhos. Disse que os cartunistas não deveriam se submeter a nada. Eles eram os criadores. Criticou a aceitação exarcebada dos cartunistas em aceitar a tudo o que o mercado lhes exigia. Falou da comercialização desavergonhada que havia conquistado a todos, aviltando os seus trabalhos e que comercializar personagens era como matá-los. (Não concordo muito com esse posicionamento radical. Cada caso é um caso. E, sim, acho que o cartunista deve ganhar dinheiro com o seu trabalho, afinal de contas, são anos e anos de dedicação e busca do aperfeiçoamento, como em qualquer outra profissão. Detalhe: não existe uma faculdade ou escola para se tornar um bom profissional. Você tem que achar o seu caminho).
Muitos ficaram contra ele, principalmente Mort Walker, autor do Recruta Zero, e tantos outros cartunistas mais velhos e tarimbados da época: "Quem esse moleque pensa que é?" - muitos disseram.
Ele não era querido no meio deles porque era demasiadamente sincero. Não era um cara de "palavras-doces-e-enganosas-e-tapinhas-nas-costas". Ele era um cara sensato quanto à sua profissão, a importância dela e o que seu trabalho representava.






Passados 10 anos de produção das tiras (1985-1995), Bill Watterson aposentou Calvin & Haroldo e se aposentou. No entanto, até hoje, suas tiras são publicadas e os velhos cartunistas tiveram de reconhecer que "aquele moleque" que os afrontou e os tirou de sua zona de conforto, deixou uma obra sensacional, um legado, na história dos quadrinhos mundiais.





Quando tiverem a oportunidade, vejam "Dear Mr. Watterson" na Netiflix. É um documentário sobre esse puta cartunista.
Um abraço,
- Rico



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